Tiago Parente mandando um email com este post pra gente ficar linda hoje à noite!
Hoje é o último dia do ano e amamos encera-lo lindas, para começarmos o próximo em grande estilo. O que significa, pra maioria das brasileiras, dar uma boa arrumada no rosto e arredores pois qualquer pantalona branca com uma camiseta transada já faz a nossa cabeça, quando a missão é escolhermos a nossa beca de reveillon.
Por isso, convidei meu querido amigo e o curador dos meus cabelos, o craque TiagoParente, pra propor alguns looks incríveis pras nossas madeixas pois assim o resto vira, apenas, meros coadjuvantes… Curtam as maravilhosas sugestões, fiquem deslumbrantes e tenham um novo ano divino.
Que Deus abençoe a todos nós! Beijos carinhosos e até 2013! BN
TIAGO PARENTE: “Para entrar o ano de 2013 em grande estilo eu sempre recomendo um pentado. Mesmo que o cabelo seja solto! É só fazer umas ondas bem marcadas e colocar todo o cabelo para um lado só , bem no estilo elegante de Rita Hayworth. Ou fazer um penteado preso com um altinho em cima – ótimo truque para alongar! E para quem quer um visual mais sofisticado o coque é sempre infalível, seja ele mais formal ou informal.
A verdade é que o cabelo com cara de penteado – mesmo que esse pentado seja meio bagunçadinho – deixa o look mais elegante, tanto para quem vai passar ao ar livre quanto para um festa. Então cuide da sua imagem – sempre! – e mostre para 2013 que vai ser um ano para você BRILHAR ainda mais! Feliz Ano Novo!” TP
Ai meu Deus… Cada um mais lindo que o outro!Agora é que me enrolei de vez! BN
Amo os trabalhos artísticos em papel porque acabamos tendo com eles uma relação mais íntima, como se fossem amigos mais frágeis e necessitados. Assim, aos cuidados diferenciados que eles solicitam vai junto a nossa atenção especial e tornam-se muito mais presentes do que aquela escultura valiosa e eterna que enfeita o jardim, quase órfã.
Ilustro esta introdução com uma linda exposição que vi, na maravilhosa MUL.TI.PLO Espaço Arte, no Rio de Janeiro e convidei, pra falar sobre ela, o amigo querido do BLOG e sócio da Galeria, Luis Carlos Nabuco. Curtam!
LUIS CARLOS NABUCO:
“A exposição Múltiplos + Múltiplos, reune artistas como catalão Antoni Tàpies, o espanhol Jaume Plensa – que trouxe para o Rio, no mês passado, a gigantesca escultura Awilda, exposta na Praia de Botafogo –, o alemão Josef Albers, o chinês Huai-Qing Wang, o venezuelano Cruz Diez, o americano Frank Stella, o búlgaro naturalizado americano Javacheff Christo e o catalão Riera i Aragó que se juntam a grandes nomes brasileiros como Daniel Senise, Cildo Meireles, Marcos Chaves, Waltércio Caldas, Beth Jobim e Gabriela Machado ocupando todo a galeria.
Com esta segunda edição da mostra – que, no ano passado, comemorou o primeiro ano da galeria- a mul.ti.plo quer firmar sua proposta de ser um espaço que tem por objetivo sempre apresentar ao público uma nova faceta de artistas plásticos conhecidos com sua produção em múltiplos, sejam gravuras ou objetos.
Um espaço diferenciado, onde cada exposição traz uma abordagem nova, sempre aliada à qualidade! Esperamos vocês!!”. LCN
ALGUNS TRABALHOS EXPOSTOS:
Beth Jobim Data: 2012 técnica: gravura em metal Dimensão: 40 x 110cm
Marcos Chaves conjunto de 4 gravuras medindo cada uma 30 x 40cm gravura em metal Edição de 40 cada 2012
Este post instiga os nossos sentidos já que é colírio para os olhos, por mostrar a beleza com suavidade, esta dupla infalível; aconchego pro coração pois surgiu da generosidade de uma querida amiga que pensou no nosso BLOG no deslumbrante chá de bebê de sua neta e festa pro paladar: cada docinho deslumbrante, by a craque Christianne Guinle, me faz lembrar que hoje ainda é sexta e só me acabo no finde, noves fora o lindo bolo da outra fada, a Dona Dirce. Curtam as fotos! BN
O grande Nelson Rodrigues e uma de suas máximas futebolísticas
Quem me conheceu menina sabe como amei futebol e curtir todas as emoções, alegorias e adereços que ele proporciona. Como a maravilhosa mesa redonda da TV Globo, onde pontificavam as inteligências acachapantes de João Saldanha, Sandro Moreira, José maria Scassa, Armando Nogueira e Nelson Rodrigues: nossos intelectuais do esporte e também de outras praias.
Os craques da emblemática mesa redondaFacit, embrião da que eu vi, anos depois, na Globo!
Eu varava as noites de domingo sorvendo suas inteligências gritantes, seus pontos de vistas pitorescos e, sobretudo, rolando de rir com suas paixões incondicionais por seus clubes: cada um torcia, discaradamente e sem cerimônia, por um time da cidade e criava maravilhosas teorias para beneficia-lo. Longe de mim o saudosismo, mas as madrugadas dominicais jamais serão as mesmas!
O grande Nelson vociferando em pro de seu amado Fluminense: torcedor apaixonado!
E por falar em Nelson Rodrigues, este ano comemoramos o centenário de seu nascimento e achei que ele adoraria ler, no céu tricolor onde está, um de seus fãs incondicionais e também grande cronista do futebol, o querido Fernando Calazans, reverencia-lo por seu aniversário. Ou ele não é o mentor do “Sobrenatural de Almeida”?! BN
A simpatia do craque Fernando Calazans, nosso blogueiro de hoje!
FERNANDO CALAZANS: “O CRONISTA E SEU PAÍS”
“Conheci Nelson Rodrigues aqui mesmo, na redação do GLOBO, lá pelos anos 70. Eu era redator da seção de esportes, e ele era… Nelson Rodrigues.
Na época, as editorias dos jornais tinham redatores, para que os textos fossem, digamos assim, mais bem cuidados. Hoje, não se liga tanto pra isso. Elas tinham também o Nelson Rodrigues escrevendo sobre esportes, sobre gênios do esporte, sobre a vida, sobre as famílias que, segundo ele, um dia iriam apodrecer, as estagiárias de pés sujos, o Sobrenatural de Almeida, o Príncipe Etíope (o grande Didi), as grã-finas com narinas de cadáver, os marginalizados e também aqueles que eram tratados “a pires de leite como se fossem gatas de luxo”. Sobre tudo, enfim.
Por isso e muito mais, eu não via e não vejo o Nelson como cronista esportivo. Muitos o veem como cronista do futebol (entre tantas outras classificações), e não há nenhum mal nisso naturalmente, mas eu não. Nelson Rodrigues não entendia tanto assim de esporte, nem precisava, mas entendia muito da vida, dos personagens da vida e sobretudo dos personagens dele próprio, Nelson Rodrigues. O campo de futebol para ele, dramaturgo, era o palco de onde extraía episódios, gestos e personagens para falar da… “Vida como ela é”, ou como ela era para ele, principalmente para ele. E, como em tudo que fazia, inclusive como, vá lá, “cronista esportivo”, era genial.
Nele, a análise do futebol ficava em segundo plano, o que era muito bom para mim, que queria ler algo mais do que futebol. Ficou famosa, entre outras centenas de frases famosas de Nelson, uma que ele costumava usar sempre que encontrava Armando Nogueira (este sim, cronista esportivo), já na saída do Maracanã: “E então, Armando, o que foi que nós achamos do jogo?” Muitos anos depois, o próprio Armando Nogueira me explicaria que não era, como se julgava, uma espécie de confissão do Nelson de que precisava do auxílio do amigo para “interpretar” o jogo. Era, pura e simples, uma saudação, um cumprimento informal, como quem diz: “E aí, Armando, como vai a vida?”.
Era o jeito de Nelson, de falar, de escrever. Jeito único, inconfundível, inimitável, impossível de ser plagiado. Assim como as suas crônicas sobre jogos, personagens dos jogos, acontecimentos grandiosos ou grotescos dos jogos. Certa vez, em sua coluna “Personagem da Semana”, o eleito foi o grande craque Zizinho, Mestre Ziza como era chamado em louvor à magia de seu futebol que inspirou até o Pelé. A última frase era incrível, pois Nelson afirmava, nada mais, nada menos, que Zizinho, se quisesse, “podia ganhar o jogo pelo telefone”. Mais incrível ainda é que essa metáfora, o exagero intrínseco que foi uma das marcas do escritor, era absolutamente condizente com o raciocínio e o argumento desenvolvidos no texto.
Esse era o Nelson Rodrigues. Outra vez, num dos meus troca-trocas entre Jornal do Brasil e GLOBO, antes de me estabelecer em definitivo aqui nesta redação, há 24 anos, fui à casa do nosso maior autor de teatro fazer uma entrevista (ou perfil, ou conversa, sei lá) para a capa do Caderno B do extinto JB. Um dos tantos temas da conversa foi a absoluta indiferença do entrevistado em relação a viagens, conhecimento de outros países, outros continentes, outras cidades. Não por caso, o título em grandes letras da matéria foi, lógico, uma frase típica de Nelson: “Quero ser amado no meu país!” Nelson jamais tinha feito, nem faria depois, uma viagem à Europa, à África, aos Estados Unidos, nem aqui perto, à América do Sul. Sua explicação ou desculpa era o medo invencível de avião. Não podia sequer ouvir falar de avião, de jeito nenhum. E se vangloriava mesmo, com orgulho brasileiro, de não ter interesse em conhecer o “resto do mundo”. Encerrado o papo, quando tomávamos o cafezinho de despedida, a caneta e o bloco já recolhidos ao meu bolso, perguntei a ele, em sincero tom de provocação e desafio:
-Mas Nelson, me diz uma coisa. Se você ganhasse o Prêmio Nobel, nem assim viajaria à Europa para recebê-lo?
Ele fez um silêncio profundo, sem pressa, olhos fixos num ponto indefinido do espaço, pensou bastante, consultou sua indisfarçável vaidade, e, com a fisionomia mais séria do mundo, virou-se pra mim e enfim se entregou:
-Bem, nesse caso eu ia de navio…
Nelson Rodrigues não ganhou o Nobel. O reconhecimento à sua obra é feito aqui, como ele queria, no seu país.” FC
“Eu vos digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos.” Nelson Rodrigues