Domingo passado, em Salzburg, tive o privilégio de ir ao concerto da maravilhosa Orquestra Filarmônica de Viena que divide, com a de Berlim, o podium da melhor do mundo.
Mas não pararam por aí as atrações do meu dia…
O “Look” de Angela Merkel, perfeito para uma ida ao teatro, às 11 da manhã: Blazer off white com pantalona caqui.
Eis que senta, justo à minha frente, uma de minhas musas, a mulher mais poderosa do planeta Terra e Chanceler da Alemanha, Angela Dorothea Merkel, acompanhada pelo marido, Joachim Sauer.
Na foto Angela, em seu ” lugar na platéia” , com BN na sua cola…
Apesar de muito bem vestida, o que mais chamou a minha atenção foi a elegância com que a Sra Merkel lidou com o espetáculo, em geral, e com o cotidiano, em particular. Discreta, nenhum aparato ou segurança à vista e agindo como qualquer cidadã, ela sentou-se na platéia, levantou-se para dar passagem, conversou com todos, agradeceu aos meus elogios, com a maior gentileza, como se eu fosse sua eleitora…
Democracia é isto, o resto é brincadeira e o Look do Dia é dela, com louvor! BN
Comprovem a simpatia da Chanceler alemã, nas fotos:
Cumprimentando a todos, na sua chegada ao teatro…A acessibilidade de AM!
Meu “blind date” com Salzburg acabouem casamento, juras de amor eterno e uma vontade louca de voltar!
Um carregamento do “ouro rosado” , o SAL de Salzburg!
“Reino do Sal” no coração da Europa, de onde tirou seu sustento e pontificou como cidade-estado por séculos, Salzburg parece saída de um conto de fadas. Sem ponte levadiça mas com um entorno feérico de montanhas mágicas, que separam o céu mais azul do verde vivíssimo que a deslumbrante vegetação de bosques e relva imprime em seu sopé, os dias de verão, por lá, são de tirar o fôlego. Assim, até nós forasteiros, sentimos um certo “orgulho-cívico” por pertencermos, mesmo provisoriamente, àquela atmosfera única e inesquecível.
Olhem que visual!
É uma delícia flanar pela cidade de Mozart, suas ruelas interligadas por passagens quase secretas, aonde nos perdemos para reencontrar nosso rumo em outra praça linda e igualmente florida, com as jardineiras mais bem servidas que já vi na vida: as fachadas das casas austríacas são um show à parte. Portanto, a primeira providência turística é deixar a vida te levar, pelo labirinto de Salzburg!
Fachada linda e florida de uma praça em Salzburg!Outro recanto delicioso…A casa em que Mozart nasceu…
Território urbano conhecido e reconhecido, aconselho passear pelas redondezas que vão da lindíssima Baviera ao romântico Tirol. Repleto de atrações naturais, geográficas e históricas, o ponto alto do seu passeio vai ser mesmo a beleza da região, com milhares de rios e lagos límpidos e cristalinos, escondidos a cada curva do caminho, um abastecendo o outro numa simbiose aquática impressionante. Mais a bucólica cadeia alpina, definindo o céu com delicadeza, bosques e campos de flores silvestres de todas as cores, tudo isto somado invadindo, sem pedir licença, nossos incrédulos olhos.
Me senti no topo do mundo…Olhem que espetáculo este “quase canion”, na Baviera: fizemos um lindo passeio de barco aí!
Única queixa, para a defesa do consumidor: a famosa Edelweiss, flor símbolo da Áustria, diferente do que nos cantou o capitão Von Trapp, é uma verdadeira prima donna e se esconde como ninguém…
Olhem bem pra esta preciosidade… figurinha difícil por lá!
Mas tudo isto é moldura pro que me levou à cidade: o Festival Anual de Verão deSalzburg, aonde por cinco semanas temos o privilégio de ver e ouvir o que há de melhor na música clássica e ópera. As grandes orquestras, os melhores solistas, os cantores do momento, apresentando-se dentro e fora dos palcos, pois a cada esquina esbarra-se com algum ídolo musical, ao vivo e a cores!
Cartaz do Festival de Salzburg!Eis o maravilhoso pianista András Schiff , depois de um concerto no Grobes Festspielhaus.Apresentação emocionante de uma versão modernésima da “Flauta Mágica”, do salzburguense Mozart, numa sala encravada na pedreira cujos arcos, ao fundo, são do século XVII!
A elegância da platéia é um capítulo à parte, por lá todos capricham à sua maneira: amei ver as lindíssimas austríacas, com suas roupas típicas, versão dia de festa. As estrangeiras, alinhadérrimas, também enfeitam o ambiente, sempre apropriadamente vestidas: é uma curtição vê-las desfilar seus lindos vestidos black tie, quando o espetáculo é à noite. Mas quem não aderir, nenhum problema, em Salzburg o que vale é sermos felizes e nos sentirmos bem!
Durante o intervalo dos concertos, as portas dos teatros são abertas e alguns bares montados do lado de fora, para drinks… super agradável!
A noite salzburguense é alegríssima, os restaurantes fervem, especialmente os situados nas cercanias dos teatros. Lá, artistas misturam-se aos clientes, depois de suas performances: uma satisfação para os olhos, uma festa pra o espírito.
Os queridíssimos Rafael Fonseca e Claudia Nogarotto, responsáveis por nossa maravilhosa viagem!
Não posso terminar meu relato sem mencionar o privilégio que tive em viajar com o Professor Rafael Fonseca. Especialista em história da música clássica, ele e sua empresa de acontecimentos culturais, aVIRA, organizou toda nossa viagem, escolheu os espetáculos que vimos, a dedo, conseguindo lugares esplêndidos. E o melhor, antes de cada um deles, fazia palestra para já chegarmos ambientados. Luxo total! BN
Esta maravilhosa cesta me foi dada pela queridíssima amiga, podre de chic Patricia Mayer: por tanto, “ça va sans dire”.
Produzida por sua cunhada, a querida Andrea Mayer, veio recheada por doces delicias como “palha italiana”, “brownies”, “cupcakes” “bem casados”, mini bolos, brigadeiros e afins, tudo muito bem feito e estalando de fresquinho.
A marca é a “Sweet Dreams” e o telefone de contato é 21 9939 5055. Experimente, eu recomendo! BN
Marella Agnelli e seu famoso pescoço de cisne, clicada pelo grande Richard Avedon: somatório de elegâncias!
Tive duas maravilhosas “personal Proust”, na minha vida, cada uma a seu tempo e hora, as duas competentíssimas, espécie de Xerazades tropicais, contando-me histórias das mil e uma noites contemporâneas, que viram por este mundo afora.
Cronologicamente, a primeira foi minha adorada tia, Elizinha Gonçalves, que com sua curiosidade, cultura e humor encheu meus ouvidos adolescentes de relatos interessantíssimos, repletos de beleza, requinte e glamour.
Depois veio MP, minha queridíssima amiga, que deu sequência, com galhardia, aos casos da tia e continua a fazê-lo até hoje, sendo que do BLOG pra cá, nós todas aproveitamos.
Me veio à cabeça, esta introdução, porque as duas tiveram um relato em comum: os originais menus de verão dos Agnelli, Marella e Gianni, soberanos informais da Itália, por boa parte do século XX.
Marella (em pé) “al mare” e magérrima: provavel fruto de seus cardápios levíssimos!
Eu explico: estamos acostumados, quando montamos um cardápio, àquela sequência básica e tradicional de entrada, prato principal e sobremesa. Acrescenta-se ou subtrai-se, à esta ordem, alguns mimos gastronômicos, dependendo do anfitrião, lugar, horário, formalidade ou estação do ano em que a refeição será servida. Assim, antipasti, amuse bouche, sorvetes cítricos que limpam o paladar, plateau de queijos, frutas depois do doce, etc, são um plus no basicão, pra dar o tom.
Só que a requintadíssima Marella fazia tudo diferente. Quebrava a sequência (aliás nem a fazia), com uma espécie de proposição dissonante mas que, na minha opinião, cai como uma luva para quem vai almoçar, num dia de calor: a parte salgada de suas refeições era um somatório de pratos ligeiros, divinos e pouco calóricos. Assim, uma alcachofra, figos com prosciutto e uma mousse de algum legumes poderiam compor, linda e fartamente, um almoço na casa mais chic da Itália.
Aspargos frescos e “tricolore”, pra combinar com o teor italiano deste post: comprei-os no Zona Sul!
Dou, agora, uma receita que poderia fazer parte da mesa dos Agnelli e também serve como acompanhamento, para um salmon grelhado, um rosbife ou mesmo um franguinho assado, nas nossas casas, combinando com nossos velhos hábitos.
São aspargos cozidos com molho holandês. Espero que gostem. BN
– Os ASPARGOS devem ser colocados, por dois minutos e meio, na água e sal fervendo, pra ficarem chics e “al dente”.
– Molho Holandês:
INGREDIENTES: – 4 gemas;
– 300 gr de manteiga;
– 1 colher de água fria;
– 1 pitada de sal;
– Pimenta do reino a gosto.
PREPARO: – Corte a manteiga em pedaços pequenos e reserve;
– Numa tijela média, que possa ir ao banho Maria, bata as gemas, a água, o sal e a pimenta do reino:
– Coloque a tijela, em banho Maria. Bata as gemas, na batedeira, até começarem a engrossar;
– Vá acrescentando, um a um, os pedaços da manteiga, sem parar de bater nenhum momento, deixando cada pedaço derreter antes de colocar o próximo. Continue batendo até toda a manteiga ser absorvida;
– Quando o molho estiver bem espesso, retire a panela do fogo e continue batendo por alguns minutos.
– Prove. Se for necessário, acerte o sal e a pimenta.
Finalizo, com a foto do prato “double face”: serve de entrada, à la Agnelli ou como acompanhamento, no prato principal!