Esta semana fui visitar o ateliê da Denise Araripe e fiquei maravilhada com o que ví. O ateliê é o maior charme, logo atrás do Outeiro da Glória, uma das igrejas mais lindas do Rio de Janeiro e suas pinturas super originais, divertidas e sensacionais. Denise divide seu ateliê com Isabel Corrêa do Lago que faz encadernação (outro post desta semana).
Artista com longa trajetória no Brasil e no exterior, Denise apresenta ao público um novo tema, inspirado por um polêmico debate. As novas telas revisitam alguns dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos em todos os tempos –Tintim e seuscompanheiros de aventuras – o Capitão Haddock e o cão Milu. São releituras de situações mostradas na série de livros criados a partir de 1929 por Hergé (1907-1983). Pessoalmente sou louca por este personagem belga.
Segundo Paulo Sérgio Duarte, diretor do Centro Cultural Cândido Mendes, “Denise é uma artista neo-pop. O ressurgimento do pop, com as apropriações que carrega, se dá em um novo contexto, diferente dos deslocamentos de objetos que se dão nas obras de Duchamp e Wharhol. Tudo é mais veloz, e essa discussão está na ordem do dia.”
Citação, pastiche, referência, recriação, adaptação, colagem, releitura? Tudo isso e mais um pouco, na discussão das possibilidades contemporâneas de reinterpretação e de reprodução infinita da imagem. E não é acaso que Tintim esteja no centro desta questão: a coleção de personagens encabeçada pelo repórter belga foi alvo de um dos mais rumorosos casos envolvendo o debate em torno da contraposição de direitos autorais e liberdade de expressão, em 2008 – a viúva de Hergé e o marido Nick Rodwel, à frente da Sociedade Moulinsart, detentora do espólio do artista, processaram o artista francês Bob Garcia pela inserção de Tintin em seus livros. Nesse imbróglio, que ganhou ressonância mundial, até fã clubes foram intimados a mudar de nomes.
Vejam que show as pinturas de Denise, fiquei LOUCA! MP
Desde que o valente Papa Bento XVI anunciou sua surpreendente renúncia, ocorrida em 28 de fevereiro, que a leitura do meu jornal virou o “samba de uma nota só”: nada mais me interessa tanto quanto esta intrigante história. Só leio sobre este assunto, durmo pensando em seus detalhes, acordo ávida de novidades: a religião e o mundo ordinário nunca estiveram tão próximos.
Raio metafórico que atingiu o Vaticano depois da renúncia de Bento XVI!
E nosso antenado BLOG não dormiu de touca e convocou a competente e queridíssima Vanda Klabin, correspondente especialíssima em todos os lugares em que a arte pontifica, pra nos falar sobre os tesouros do Vaticano, em geral, e sua cereja do bolo ou a divina Capela Sistina, local onde tudo será decidido… Sigamos com ela! BN
VANDA KLABIN: “O Vaticano”
Vaticano, visão aérea: O menor e dos mais sagrados Estados do mundo! BN
“No dia 28 de fevereiro de 2013 entrou em vigor a renúncia papal de Bento XVI, ocasião em que será escolhido, pelo conclave do Vaticano, o novo papa. A famosa fumaça branca da Capela Sistina poderá ser vista no aplicativo “THE POPE APP”, e em tempo real .
“Habemus Papam”, indica a famosa fumaça branca e poderá ser vista em tempo real: veja como no texto acima! BN
A cidade do Vaticano, murada dentro da cidade de Roma, sede da Igreja Católica, estará em evidência e apesar de ser o menor estado independente do mundo, abriga um dos maiores conjuntos da arte ocidental: a Praça de São Pedro, desenhada por Bernini, com suas 140 estátuas de santos , mártires, papas e fundadores de ordens religiosas, que compõem o conjunto de outras obras arquitetônicas importantes, como a Basílica de São Pedro, o Obelisco Egípcio levado por Calígula , Museu do Vaticano e a Capela Sistina.
A gloriosa Praça de São Pedro, desenhada pelo grande Bernini… BN
A Basílica de São Pedro foi construída em 1506 /1626 e ali encontramos os túmulos dos apóstolos e dos pontífices. O baldaquino de bronze dourado que abriga o trono papal, foi desenhado por Bernini, no século XVII, e é um exemplo notável do barroco italiano. Giotto está presente o mosaico de Navicella, realizado no século XIII.
O deslumbrante baldaquino de bronze, by Bernini, que adorna o trono papal! BN
Mosaico della Navicella, de Giotto: deslumbre! BN
A Pietà, de Michelangelo, feita de um único bloco de mármore de Carrara, demonstra o virtuosismo técnico do artista. Encomendada para adornar o túmulo do cardeal francês Lagraulas, na corte papal, esse tesouro artístico foi entregue em 1499. Michelangelo tinha apenas 25 anos e é a única obra assinada pelo artista, na faixa qua passa sobre o busto de Maria.
A linda Pietá, de Michelangelo, esculpida em um único bloco de Carrara! BN
O Museu do Vaticano teve início no século XV, através de encomendas ou doações e ali estão reunidas coleções de 12 museus. Abriga arte religiosa, etrusca, egípcia e moderna, afrescos, pinturas, esculturas e também obras de Giotto, Fra Angelico, Leonardo da Vinci , Rafael e Michelangelo.
A emblemática escada interna do Museu do Vaticano que nos leva a visitar tesouros… BN
As Salas de Rafael, Stanze di Raffaello, um dos tesouros do Vaticano, possui oito afrescos encomendados pelo Papa Júlio II, no início do século XVI, 1508, para decorar seus quatro aposentos internos. Foi onde Rafael representou o seus contemporâneos, a saber: Michelangelo e Leonardo da Vinci. O mais famoso é a Escola de Atenas. O artista também realizou os afrescos da passagem para o Palácio Apostólico.
Escola de Atenas, de Rafael, um dos tesouros do Museu do Vaticano!
A CAPELA SISTINA:
Capela Sistina: lugar sagrado da cristandade!
Foi construída ao lado da Basílica de São Pedro, no século XV, pelo Papa Sisto IV, no complexo das construções do Palácio do Vaticano. As paredes laterais já tinham sido pintadas pelos artistas Sandro Boticelli, Rafael e Bernini. É o lugar sagrado da cristandade e nas eleições papais, os cardeais votavam, comiam e dormiam nesta Capela. Hoje, eles ocupam um alojamento na Casa Santa Marta.
Vejam a foto de um conclave: os papas são escolhidos nesta jóia de capela!
A Capela Sistina, que tem apenas 41m X 13,5 m de área, foi restaurada no século XX, durante quatro anos, e entregue ao público em 1993, trazendo à tona uma luminosidade e cores inesperadas, escondidas pelos fungos, dióxidos de carbono e outras contaminações. Hoje em dia, estuda-se um controle maior das vistas e a instalação de um sofisticado sistema de descontaminação, para evitar novas restaurações e a deteriorização deste grande afresco sistino .
Vejam um detalhe do afresco de Michelangelo, antes do restauro: imundo, escuro e sem brilho… BN
Os afrescos para a abóbada da Capela Sistina, uma das obras seminais da arte ocidental, foram pintados por Michelangelo, entre 1508 e 1512, ele então com 33 anos de idade, por encomenda do Papa Júlio II, que era sobrinho do Papa Sisto IV. Apesar de ter sido interrompida devido à suspensão de fundos, por parte do pontífice, foi entregue a tempo de Júlio II conseguir vê-la antes de morrer. A abóbada foi apresentada ao público no dia de Todos os Santos, em 1512.
A espetacular abóboda da Sistina e seus afrescos deslumbrantes!
Os nus lascivos dos afrescos de Michelangelo foram posteriormente censurados, considerados obscenos e inaproriados . Razão pela qual foram acrescentados alguns panos e véus em defesa do pudor. Por isso escaparam, por pouco, de serem totalmente destruídos.
Michelangelo, o mestre italiano que trouxe uma enorme contribuição à estética moderna, vai utilizar uma mesma tonalidade cromática, luminosa, sempre concentrado na representação da figura humana, não abrindo espaço para a paisagem, como mostram as complexas organizações das cenas monumentais da abóbada da Capela Sistina.
A figura humana no centro das cenas…
A superfície da abóbada é articulada por pilares, onde nas áreas triangulares, pequenos compartimentos pictóricos, reúne nove painéis principais com cenas extraídas do Gênesis e o início da historia da criação do mundo: a Sibila Délfica, o dilúvio universal, a criação de Adão, a criação de Eva, o pecado original e expulsão do paraíso, Moisés e a Serpente de Bronze, a criação do sol e da lua, Deus separando a luz das trevas, Deus separando a terra das águas, o sacrifício de Noé, Noé embrigado. Nas áreas triangulares, estão representados os profetas e as sibilas.
A superfície da abóboda é articulada por pilares…
Cena do livro do Gênesis e do afresco de Michelangelo: a expulsão do paraíso!
Uma das imagens mais fotografadas da face da terra: A criação de Adão, do afresco de MA!
O Juízo Final, obra mais tardia de Michelangelo, que estava com sessenta anos de idade quando a realizou entre 1536 e 1541, foi pintada atrás do altar da Capela Sistina. A composição é centrada na figura dominante de Cristo flutuante e no pulsar dos corpos ali presentes: as cenas e figuras se torcem ou se reviram em planos sobrepostos. Representa o último ato da história da humanidade, e implicava na idéia de uma avaliação, do veredicto para os condenados e os eleitos.
Para o historiador Robert Longhi, a arte de Michelangelo mudou o conceito do corpo humano e inventou a tridimensionalidade na pintura: é o mundo observado sob a espécie de um torso, “il monde come torso”.
Jamais esqueço de uma frase do escritor francês Sthendal a respeito de Roma: “todas as reputações ficam pequenas quando entram nessa célebre cidade”. Vanda Klabin
BELEZA + COMPETÊNCIA + ENCANTO = MAITÊ QUEIROS MATTOSO, que satisfaz com louvor à equação proposta acima: é linda, gente finíssima e artista maravilhosa.
E por falar em sua arte, mais uma vez nosso BLOG que é fã de carteirinha e da Maitê, mostra sua última e elogiadíssima exposição, na descolada Galeria Montserrat, Chelsea, NYC, pode ser mais chic? Curtam muito!
Diptico em óleo sobre tela super visual!
Maitê curtindo sua arte!
A também maravilhosa Adriana Quattrone, curtindo o show da mãe Maitê!
Queridíssima, sua vernissage bombou de amigos/ fãs. Mostro nas fotos! BN
Bruno Massa, o curador da linda expô, recebe o casal cooooll Cristine e Carl Bernstein, ele é o jornalista de Watergate, pra quem não estiver ligando o nome à pessoa…
Maitê entre Moema Jafet e Guida Carvalhosa, chics!!!
O escritor e professor, Deonísio da Silva, nos conta hoje sobre a lenda da Papisa Joana. Será?
AC
A LENDA DA PAPISA JOANA (PAPA JOÃO VII)
A papisa Joana teria reinado no século IX, sob o nome de João VII. A lenda surge na Europa, por volta do ano 850, e sua força foi tanta que, numa linhagem exclusivamente masculina, gerou na língua portuguesa o feminino papisa, do Latim tardio papissa, em homologia com rei/rainha, imperador/imperatriz, príncipe/princesa etc.
Filha de um cônego inglês, Joana nasceu em Mainz, na Alemanha, em 1814. Como ler e escrever fossem atividades proibidas às mulheres, seu irmão Mateus a alfabetizou às escondidas. Quando o menino morreu, outro irmão de Joana, chamado João, confiou o segredo ao tutor e este aceitou ensinar a ambos o Latim e o Grego, sempre às escondidas.
Ao ser transferido, o tutor prometeu a Joana que tudo faria para ajudá-la. E tempos depois chegou uma carta do bispo local pedindo ao cônego que enviasse Joana à sede da diocese. Ao chegar, Joana foi submetida a vários exames. Foi quando descobriu-se que era moça e não rapaz. Como tivesse demonstrado grande saber, o bispo autorizou que ela prosseguisse os estudos.
Mas havia o problema do alojamento, habitado apenas por rapazes. Então um conde ruivo chamado Geraldo, muito influente junto ao bispo, consegue autorização para Joana morar na casa dele. Todos os dias ela estuda junto com os rapazes, que a maltratam muito, e à noite vai dormir na casa do conde, de onde entretanto certa noite foge e procura o Mosteiro de Fulda.
Seu desempenho nos estudos é extraordinário. O monge médico, gostando muito dela, que todos acham ser ele, ensina-lhe medicina. Em pouco tempo, Joana torna-se o melhor médico do convento e sua fama chega a Roma, ao tempo em que reinava o papa Leão IV. Os cardeais, vendo-o muito doente, chamam Joana para cuidar dele. Curado e agradecido, o Sumo Pontífice a nomeia cardeal. Quando Leão IV morre, os cardeais a elegem papa, e ela, sempre disfarçada de João, toma o nome de João VII.
Mas o conde Geraldo, que era casado e amava Joana, ia a Roma muitas vezes para encontrá-la e acabou por engravidá-la. Joana iria dar à luz às escondidas, mas durante uma procissão passou mal e teve o menino no meio da multidão. Cardeais amigos logo proclamaram “milagre!”, levando-a de volta ao palácio, mas outras fontes dizem que mãe e criança foram apedrejadas até à morte.
Há muitas outras controvérsias sobre Papas. Alguns historiadores contam 261 papas, outros 265, dois quais 215 tiveram morte natural, 6 foram assassinados, 4 morreram no exílio e 1 na prisão. Os maçons fazem outra conta, dividindo os papas entre intramuros e extramuros.
A jornalista Giovanna Chirri
A igreja é uma instituição machista e esta é uma das razões da lenda de uma papisa. E vejamos só que outra ironia! Quando o papa Bento XVI falou aos cardeais, havia jornalistas no recinto, mas apenas a correspondente italiana Giovanna Chirri, por saber Latim, o entendeu. E deu o furo mundial, informando que o papa anunciara que iria renunciar.
DEONÍSIO da SILVA é escritor e professor, Vice-reitor da Universidade Estácio de Sá.