Saiu, ontem, a mega festejada lista anual dos 50 melhores restaurantes do mundo ( só que ela, na realidade, nomeia 100)!
Organizada, há 10 anos, pela revista inglesa “Restaurant Magazine”, a “S.Pellegrino World’s 50 Best Restaurants” é um retrato anual das opiniões e experiências de 837 especialistas, escolhidos para julgar os melhores lugares para se comer, no planeta. O que constitui o “melhor” é deixado a critério destas pessoas viajadas e confiáveis, que compõem a “Academia Electrolux dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo”.
A Academia é composta por 27 regiões distintas do mundo. Cada região tem seu próprio painel de 30 membros composto por donos de restaurantes, chefs, escritores de comida e viagens e gourmands e um presidente, que dirige este painel. Os presidentes da Academia são selecionados pela revista “Restaurant” por seu conhecimento de cada região.
A chef orgulho nacional, Roberta Sudbrack, com um amigo e o gourmet/ gourmand, Ed Motta, na festa de confraternização em torno do Vinho do Porto, ontem, no Rio de Janeiro.
Não há critério para que o voto seja decidido. Assim, uma experiência interessante em um estabelecimento simples, onde descobre-se inovação excepcional, pode ser julgada melhor do que uma refeição mais opulenta, em um restaurante amplamente festejado. A escolha fica inteiramente a critério dos membros julgadores. Tudo o que os organizadores pedem é que sejam respeitadas algumas regras. Os resultados da lista são o simples cômputo de todos os votos expressos pelos membros da Academia, em todo o mundo. Detalhes : nossa “Blogueira por Uns Dias”, a maravilhosa e incansável curadora de arte, Vanda Klabin, é membro da Academia: poderosa…
A queridíssima amiga Vanda Klabin, membro do jurí mais bombado da gastronomia mundial!
Esta lista é baseada, sobretudo, em experiências pessoais. Com isso, ela nunca pode ser considerada definitiva mas é, sem dúvida, uma pesquisa honrosa de gostos atuais e um indicador crível dos melhores lugares para comer em todo o mundo!
MUDANÇAS QUE ME CHAMARAM A ATENÇÃO:
– O dinamarquês NOMA cai para segundo lugar, cedendo o título de “simply the best” para o espanhol El CELLER CAN ROCA, de Gironda: trocaram de posição;
Comandado por três irmãos, Joan, Josep e Jordi, o restaurante “El Celler Can Roca”, em Girona, Espanha, foi eleito o melhor do mundo… Na foto, trio recebendo seu Oscar: Joan é o chef, Josep o semmelier e Jordi, o caçula, é responsável pelas sobremesas: “Comida inteligente, divertida e absolutamente saborosa”! Com estes adjetivos os jurados descreveram os melhores!
– Dos dez primeiros colocados, três são espanhóis, logo a Espanha é o centro gastrô mundial e San Sebastian sua principal referência pois dois são da cidade;
O charmoso e divino Mugaritz entra em quarto lugar, também representando a Espanha, país que brilha no topo do Olimpo gastronômico do mundo: seu chef Andoni Aduriz foi discípulo do grande Ferrán Adria!
– O Brasil entra na lista três vezes: Com o D.O.M, do craque Alex Atalla, BRASIUIUIUIU, em sexto lugar (ano passado ele foi quarto), o MANI da maravilhosa chef gaúcha, Helena Rizzo (ela saiu do lugar 51 para o 46), e o carioca da gema, ROBERTA SUDBRACK, comandado pela chef sensação que lhe nomeia, em octogésimo, um atrás do estrelado chef francês Alain Ducasse e seu restaurante do Plaza Athénée, em Paris ( em Septuagésimo nono);
O trio de ouro do quatro bocas nacional, Roberta Sudbrack, Alex Atalla e Helena Rizzo, estão entre os 100 melhore… Na foto, super bem acompanhados pelo “marraviyoso”, Claude Troisgros (o restaurante de sua família, La Maison Troisgros, entra em 94).
– Da França, o maravilhoso L’ARPÈGE foi escolhido como o melhor do país, aparecendo apenas em décimo sexto lugar, na lista promovida pela revista que é inglesa…
O melhor francês!
– O melhor restaurante da Itália é o OSTERIA FRANCESCANA, em Modena, cotado como o terceiro melhor do mundo, subindo três posições em relação ao ano passado;
A very cool Osteria Francescana, em Modena, liderou os italianos!
– De NYC: o sofisticado ELEVEN MADISON entra em quinto lugar, meu querido PER SE cai pra décimo primeiro e o simpático BERNARDIN mantém a décima nona posição: a “Big Apple” continua sendo a referência gastronômica dos EUA;
O melhor americano é o ” 11 Madison”, de NYC, bien sûre!
– O melhor dos asiático é japonês de Tóquio, NARISAWA, que entra em vigésimo lugar e o AMBER, primeiro chinês, aparece em trigésimo sexto;
O restaurante japonés Narisawa, em Tóquio, é o melhor asiático!
O restaurante Amber, de Hong Kong, fica no hotel Mandarin e é o melhor da China!
– Uma surpresa: o $$$$ dos BRICS ainda não chegou à cozinha, pois a Índia não tem representante entre os 100 mais e a Rússia aparece, na lanterninha (literalmente, em centésimo), com seu VARVARY, de Moscou.
Varvary é o centésimo restaurante da lista de melhores e o nono da de mais caro do mundo!
– Por falar em BRICS, só dois restaurantes africanos figuram na lista: ambos são da África do Sul!
O charme da fachada do considerado melhor restaurante da África: “The Tasting Room at the Quartier Français”, ufa que nomão… Sua maravilhosa chef, Margot Janse, esteve no Rio, chez Troisgros, e eu tive a sorte de experimentar sua comida, na maravilhosa companhia de AC!
– Duas gratíssimas escolhas: os peruanos ASTRID Y GASTÓN, em décimo quarto e o CENTRAL, fechando a lista em qüinquagésimo lugar, ambos em Lima;
Lima bombou emplacando dois restaurantes entre os 50 primeiros.. Este é o Astrid Y Gastón!
– Outra escolha que amei: o mexicano PUJOL sai de trigésimo sexto para décimo sétimo. Nota triste: los hermanos, infelizmente, não emplacaram nenhum nome…
A cidade do México também brilhou com dois representantes. Este é o sofisticado Pujol, cujo criativo chef usa a tradição da divina culinária mexicana aliada à criatividade!
OS CINQUENTA MAIS:
El Celler de Can Roca, Girona, Espanha;
Noma, Copenhague, Dinamarca;
Osteria Francescana, Modena, Itália;
Mugaritz, San Sebastián, Espanha;
Eleven Madison, NYC, EUA;
D.O.M., São Paulo, Brasil;
Dinner by Heston Blumenthal, Londres, Gran Bretanha;
Arzak, San Sebastián, Espanha;
Steirereck, Viena, Áustria;
Vendôme, Bergisch Gladbach, Alemanha;
Per Se, NYC, EUA;
Frantzén/Lindeberg, Estocolomo, Suécia;
The Ledbury, Londres, Gran Bretanha;
Astrid y Gastón, Lima, Perú;
Alinea, Chicago, EUA;
L’Arpège, París, França;
Pujol, Cidade do México, México;
Le Chateaubriand, París, França;
Le Bernardin, NYC, EUA;
Narisawa, Tóquio, Japão;
Attica, Melbourne, Austrália;
Nihonryori RyuGin, Tóquio, Japão;
L’Astrance París, França;
L’Atelier Saint-Germain de Joël Robuchon, París, França;
Esta musse de fruta do conde, pinha ou ata, dependendo da região brasileira em que estivermos, foi a sobremesa do jantar deste post . Como mostra a foto no final do texto, servi-a dentro de cocos secos, um dos elementos mais indispensáveis à minha existência gastronômica, por conta do aperto que é minha mesa de jantar: não sou muito de comida “empratada” mas acho elegante quando colocada dentro de legumes ou frutas. E principalmente se o conteúdo for da mesma natureza do continente, aí é a perfeição.
Mas vamos à receita desta musse que, no seu gênero, é a melhor que conheço graças à competência da maravilhosa Irene. A gente chega a achar que está comendo a fruta pura… O segredo é a quantidade (10 unidades de frutas do conde) e o ponto de maturação (Tem que estar madurésima!). BN
MUSSE DE FRUTA DO CONDE:
INGREDIENTES:
1 Lata de leite moça;
1 Lata de creme de leite;
50 g Gelatina, sem sabor;
6 Claras em neve;
10 Frutas do conde;
2 Xícaras de creme de leite fresco.
PREPARO:
– Abra as frutas do conde ao meio, com uma colher de sopa, separando a polpa e caroços;
– Passe por uma peneira para separar a polpa dos caroços e reserve a polpa;
-Por os caroços em um tabuleiro e separar os gomos dos caroços;
– Junte os gomos à polpa que estava reservada e este resultado chamaremos de “fruta do conde”;
– Dissolva a gelatina em meia xícara de água gelada e leve ao banho maria;
– Coloque, no liquidifcador, o leite condensado, o creme de leite, a metade da “fruta do conde” e a gelatina;
– Bater tudo por dois minutos e reservar o creme que se formou;
– Junte a este creme o de Chantilly (receita abaixo) e as claras em neve;
– Enformar numa forma grande ou em forminhas individuais e levar à geladeira por 4 horas;
– Desenforme e cubra com a outra metade das “fruta do conde”que foi reservada. Voílà, pronto pra servir!
CREME DE CHANTILLY:
INGREDIENTES / PREPARO:
Bata, no liquidificador, 2 xícaras de creme de leite fresco (que bata Chantilly) com uma xícara de açúcar Fit, marca União, até formar um creme.
Começo pelo “look final da mesa”, as velas acesas e “pano de lavanda”(para não escorregar” nos pratos, esperando os suflês individuais que estão a caminho….
Este jantar, only for “Doctors”, foi em torno do grande e querido doutor Silvano Raia, pioneiro de transplante de fígado no Brasil, maior cirurgião do órgão no país e também referência mundial na especialidade, que nos deixou muito felizes com sua visita.
Pra combinar com ele, quis fazer uma mesa masculina e clássica. Assim, escolhi uma louça de porcelana Limoges, pelos desenhos discretos e enfeitei a mesa com poucas flores monocromáticas, enfim, nada de muito extraordinário, pois os homens são de Marte, né?!…
A charmosa cidade de Limoges, capital da porcelana francesa!
Como nós somos de Vênus, e adoramos assuntos paralelos, achei que talvez gostassem de uma prosa sobre Limoges e sua famosa porcelana…
Esta encantadora cidade, no meio-oeste francês, situada na região de Limousin, foi fundada pelos romanos e viveu pacatamente até a Idade Média, quando os artesãos locais a puseram no mapa por tornarem-se mestres na produção de esmalte que decorava imagens e adornos religiosos. Não contentes, um belo dia do século XV, resolveram ampliar seus anteparos e passaram a enfeitar, também, as louças de cerâmica das famílias locais.
São Gregório, pintado em esmalte de Limoges sobre placa de bronze. By Jacques Loudin, séc XV
Prato de Limoges, esmalte sobre cobre, 1654, by Pierre Reymon!
Já que nada é por acaso, este treinamento secular formou uma mão de obra especializada e única (eles irão pintar a porcelana local), que somada à imensa jazida de Caulim descoberta na região em 1765 e às florestas locais (para abastecerem os fornos de queima da porcelana) formaram o triunvirato perfeito para transformar Limoges na capital da porcelana.
De Limoges, fábrica Comte D’Artois, por volta de 1784! Lindo!!!!
Dois esclarecimentos:
– Porcelana é uma invenção chinesa (foram eles que primeiro misturaram Caulim à fórmula da cerâmica, mudando tudo), nomeada e difundida na Europa por Marco Polo, e considerada mais nobre que a cerâmica por ser mais dura, resistente, translúcida, transparente e muito mais lisa de textura, já que não é porosa. Resulta numa peça mais requintada. Mas, aqui entre nós, amo também a rusticidade das cerâmicas. No meu campeonato, elas terminam empatadas…
Deslumbre em forma de cavalo: Porcelana chinesa da dinastia Tang. Durante ela a porcelana foi inventada!
– A porcelana de Limoge caracteriza-se por ser assinada pelo fabricante e ter o selo de Limoge, ambos na parte de baixo da peça. As primeiras eram pintadas à mão e depois passaram a imprimir os desenhos, como nas litografias. As porcelanas são, quase todas, esmaltadas e os desenhos variam entre padrões florais, desenhos de frutas, pessoas e animais. Motivos de paisagens são raros e caracterizam peças antigas.
Os produtores não passavam de 34 em 1900 e os mais prestigiados eram Sinclair (comparado a Fabergé), Haviland, Guérin e Latrille entre outros.
Eis uma linda xícara de chá Limoges, de 1893, da fábrica Haviland…
Vamos à mesa, tomara que ela não desmereça seu DNA. BN
PASSO A PASSO DA MESA:
Imitando Magritte “This is not a pipe”, esta não é uma toalha, mas uma colcha de cama indiana, que eu adaptei!
Como sempre, marquei o centro da mesa.
Experimentando a distribuição dos lugares…
Entraram os copos!
Entraram as flores: pus os bouquets para marcar os lugares femininos.
Misturei com a porcelana objetos de palha, pra contrastar. Aqui já entraram os bombons que me ajudam na hora da sobremesa…
PASSO A PASSO DO CENTRO DE MESA:
Esperando os quitutes….
Completo, esperando os convidados…
DETALHES:
Close num lugar à mesa!
Espalhei azeite pela mesa pois tinha arroz de pato…
Por uma fatalidade, quase fiquei sem meus queridos chocolates da Christianne Guinle… Aprendi um plano B mara: a Kopenhagen faz umas trufas divinas e “prêt-a-porter”…
Ufa, em cima do laço surgiram estas trufas surreais de limão siciliano: de comer rezando!
Trio da pesada: mini waffle dos deuses e torradinhas de pão árabe temperadas e feitas em casa: vício. Vou dar a receita!
Como não pude ir à Cadeg, ela veio a mim e com maestria: orquídea escolhida por telefone. São craques!
Os mini bouquets que marcavam os lugares das mulheres.
Rua da encantaadora Berchtesgaden, capital da linda Baviera!
Volto, mais uma vez, à viagem à Salzburg, no verão europueu passado, lugar que me encantou tanto, que o assunto não se esgota. Hoje vou contar pra vocês sobre um passeio de barco lindo que fizemos, saindo da cidadezinha de Berchtesgaden, ao extremo sul da Baviera, Alemanha.
Berchtesgadener Land, dos lugares mais lindos dos Alpes!
Situada na Berchtesgadener Land, uma das localizações mais lindas de toda Europa, qualhada de montanhas completamente verdes que nascem como musas, de rios ou lagos, rumam direto pro céu, sem limite nem piedade, resultando no visual mais estonteantes do planeta Alpes.
A linda Watzmann nascendo nas águas do divino lago Königssee: pura magia…
Berchtesgaden, a capital deste sonho, é também uma atração a parte, abrigando uma salina do século XVI e edifícios históricos. Nosso “cruzeiro” saiu daí por ser ela um porto, às margens do Königssee, lago maravilhosos circundado pelo paredão verde que descrevi e que, num certo ponto o estragula, simulando uma espécie de “canyon” ou “desfiladeiro” technicolor.
O lago cortando caminho entre as montanhas!
Como foi delicioso navega-lo, conhecer lugarejos lindos saídos de conto de fada e pousados em suas margens, só pra arrancar suspiros de admiração e refrescar nossas desiludidas memória: A caprichosa vida pode ser, sim,um espetáculo além da imaginação.
A chegada ao vilarejo com a Igreja de St Bartholomew a nos receber…
Que tal a cor da água?!
Deixei pro final a cereja deste bolo alemão, porque ela também foi o último porto. Chama-se St Bartholomew por conta da joinha em forma de igreja, dedicada ao santo padroeiro dos fazendeiros e leiteiros dos Alpes. Acoplada a um pavilhão de caça, ele do século XII e ela no XI, ambos foram remodelados ao longo dos tempos sendo que o “lodge”, ex residência dos príncipes locais, virou pousada deliciosa e a igreja continua recebendo os peregrinos, que vêem de todo lado e, em especial, no dia de seu padroeiro, 24 de agosto.
Um almoço por aí é inesquecível BN
FIQUEM COM AS FOTOS DO LINDO LUGAREJO DE “ST BARTH” DA BAVIERA E SUA CAPELA DE SONHO…
Visão da chegada, em terra: A igreja acoplada ao “Lodge”.
Vejam o “pavilhão de caça”, ex residência dos príncipes locais, que virou pousada/restaurante.
Vejam “os fundos” da linda igreja, com suas cúpulas vermelhas…